Angel / Un Ange Louise Labé, Deuxième Sonnet
Sonnets, Élégies, Épitres...
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français
espagnol

Ô beaux yeux bruns, ô regards détournés,
Ô chauds soupirs, ô larmes épandues,
Ô noires nuits vainement attendues,
Ô jours luisants vainement retournée !

Ô tristes plaints, ô désirs obstiné,
Ô temps perdu, ô peines dépendues,
Ô milles morts en mille rets tendues,
Ô pires maux contre moi destiné !

Ô ris, ô front, cheveux bras mains et doigts !
Ô luth plaintif, viole, archet et voix !
Tant de flambeaux pour ardre une femelle !

De toi me plains, que tant de feux portant,
En tant d'endroits d'iceux mon coeur tâtant,
N'en ai sur toi volé quelque étincelle.


¡Oh bellos ojos negros, oh mirar distanciado,
Oh cálidos suspiros, oh lágrimas vertidas,
Oh las oscuras noches vanamente atendidas,
Oh los días claros vanamente retornados!

¡Oh dolientes quejas, oh deseos obstinados,
Oh tiempo malgastado, oh penas prodigadas,
Oh mil muertes en mil celadas desplegadas,
Oh peores males en mi contra destinados!

¡Oh brazos, manos, dedos, cabello, risa, frente,
Oh voz, oh viola y arco, oh laúd doliente!:
¡Cuántas llamas para hacer arder a una mujer!
                                  
De ti me quejo, que tanto fuego poseyendo,
En tantos lados mi corazón fuiste encendiendo,
Sin que un solo destello pudiera en ti caer.

(© traducción: Sonia Mabel Yebara)

Le texte espagnol vient de 

http://www.bibliele.com/CILHT/FRANCIA/femrenli.html

portugais
hebreu

Belos olhos que fingem não me ver
Mornos suspiros, lágrimas jorradas
Tantas noite em vão desperdiçadas
Tantos dias que em vão vi renascer;

Queixas febris, vontades obstinadas
Tempo perdido, penas sem dizer,
Mil mortes me aguardando em mil ciladas
Que o destino me armou por me perder.

Risos, fronte, cabelos, mãos e dedos
Viola, alaúde, voz que diz segredos
À fêmea em cujo peito a chama nasce!

E quanto mais me queima, mas lamento
Que desse fogo que arde tão violento
Nem uma só fagulha te alcançasse.


Traducão de Sergio Duarte 
Três mulheres apaixonadas,

Companhia das Letras, 1999 -SP, Brasil

http://utopia.com.br/poesia/poesia216.html 

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